domingo, 18 de abril de 2010

Lançamento d'O Centésimo em Roma
de Max Malmann




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Compareci nessa última quinta-feira no lançamento carioca do romance histórico O Centésimo em Roma de Max Mallmann na Livraria da Travessa da Visconde de Pirajá. Aguardei o evento com tanto entusiasmo que acabei comparecendo lá na livraria com um mês inteirinho de antecedência. Isto mesmo! Em mais uma de minhas hilárias e embaraçosas confusões — hilárias para os outros, embaraçosas para mim — acabei me atrapalhando ao julgar que o lançamento se daria em 15 de março e não em 15 de abril...

Como bom gato escaldado, dessa vez tomei o devido cuidado de checar os e-mails do autor nas listas de discussão para confirmar o evento. Quando cheguei na Travessa às 20:10h (o evento começara às 19:30h), Max já estava com a casa cheia. Havia um bocado de gente dentro da livraria e uma fila de cerca de quinze pessoas na mesa de autógrafos. Encontrei Eduardo Torres e Sylvio Gonçalves junto à caixa registradora. Sylvio comprava seu exemplar. Edu já comprava três, um para si próprio e outros dois para dar de presente. Entramos na fila folheando o romance, maravilhados com a robustez do volume — mais de quatrocentas páginas — a qualidade da capa e dos detalhes gráficos e de acabamento.

De copo de whisky na mão, Edu decantava a qualidade do Johnny Walker Green Label que degustava. Quando perguntei pelo vinho, explicou que também havia e do bom.

Ali da fila, vislumbramos Ana Cristina sentada numa poltrona de papo com o Luiz Filipe Vasquez. Edu esclareceu que ela havia quebrado o pé num acidente doméstico. De fato: mais tarde verifiquei que ela portava pé direito imobilizado e um par de muletas facilmente manejadas como armas.

Trata-se do quinto romance de Max e o terceiro em seguida que ele publica pela Rocco, os dois anteriores foram Síndrome de Quimera (2000) e Zigurate (2003). O intervalo maior entre o penúltimo romance e o atual deveu-se ao caudaloso trabalho de pesquisa que o autor empreendeu, lendo e digerindo quase uma centena de livros sobre Roma Antiga para se preparar para a empreitada. Consta que nossa amiga historiadora Ana Cris teria atuado como leitora crítica informal antes de Max entregar os originais do trabalho à editora.  Quando ainda residia em Porto Alegre, Max publicou o romance de ficção científica Confissão do Minotauro (Instituto Estadual do Livro, 1989) e o romance de fantasia Mundo Bizarro (Mercado Aberto, 1996).

Ainda na fila de autógrafos, fomos surpreendidos pela presença de Roberval Barcellos, que andava sumido há tempos. O autor de história alternativa prestigiou o lançamento trazendo inclusive a esposa que, segundo ele, tornou-se fã do Max após a leitura de Síndrome de Quimera. Conversa vai, conversa vem, descobrimos que Roberval teria tido uma noveleta de história alternativa aceita para publicação numa antologia de ficção científica política que, segundo consta, estaria sendo organizada por um importante hierarca da FCB para uma editora especializada no gênero.

Quando estávamos na fila deparamo-nos momentaneamente com Lucio Manfredi, só que acabamos não tendo tempo de conversar com ele, nem naquele instante e nem mais tarde.

Só quando chegamos à mesa do autor é que constatei ter esquecido minha câmera digital. Fui obrigado a pedir ao Sylvio que tirasse fotos com meu LG Cookie, traquitana que, como todos sabem, não é lá essas coisas. Max providenciou carimbos com ditos sacanas-espirituosos em latim. Meu exemplar fez jus a quatro carimbos.


Max autografando incessantemente!

Tão logo coletei meu autógrafo, lancei um olhar triunfal ao fim da fila quilométrica, vislumbrando a cabeça precocemente grisalha de Octavio Aragão que me havia dito num telefonema pela manhã que provavelmente não compareceria. Pelo visto, conseguiu se desvencilhar dos compromissos domésticos para prestigiar o lançamento do Max. Regressei à fila para bater papo com o Octavio. Ele me contou que o prefácio que o Fábio Barreto escreveu para minha noveleta “São os Deuses Crononautas”, a ser publicada na antologia Intempol 10, ficou excelente. Segundo ele, o prefácio que a Libby Ginway escreveu para a noveleta do Carlos Orsi Martinho na mesma antologia também ficou do balacobaco. Pelo visto, o relançamento da Intempol vai bombar. Periga ser o evento do ano na ficção científica brasileira.

Regressei às cercanias da mesa de autógrafos para conversar com a Ana Cris e saber detalhes do seu acidente doméstico. Estevão Ribeiro só chegaria ao fim do evento. Ambos compraram uma pilha respeitável de exemplares. Além do Luiz Filipe, Rafael “Lupo” Monteiro também prestava serviço de escolta a nossa líder semi-imobilizada. Excepcionalmente, Lupo não se fez acompanhar de sua noiva.  Patati foi outro que só chegou no finzinho, mas, pelo menos, ao contrário do que aconteceu com o Lúcio, consegui bater um papinho com ele.

Indignada com o pretenso sacrilégio de Octavio “Deus” Aragão ter assentado seu divino traseiro na mesa do autor, Ana Cris manifestou vontade extremada de aplicar uma severa muletada na divindade. De imediato, eu e Luiz Filipe posicionamos a poltrona dela de forma que ela pudesse exercer seu desígnio punitivo.

O assunto da noite foi sem dúvida a quantidade de pesquisa que Max se obrigou a executar para escrever o Centésimo. Ana declarou que tal empenho deveria ser divulgado para servir de exemplo a certos autores da nova geração da FCB que consideram a preguiça intelectual parte integrante do ofício literário.

Na categoria fofoca da FCB, comentou-se animadamente sobre os últimos arranca-rabos do Orkut e do subfandom paulistano, alguns dos quais já antecipados há tempos por nossos consultores contratados à da Confraria dos Canalhas Anônimos.

Octavio trouxe à pauta de discussão sua atividade de curadoria num ciclo de mesas-redondas semanais que se darão numa livraria situada na galeria do complexo cultural do Unibanco Artplex. Deverei assistir a segunda mesa, capitaneada por Fábio Fernandes, Ana Cristina Rodrigues e Saint-Clair Stockler. Também participarei da terceira, sobre steampunk, em companhia de Fausto Fawcett e Alexandre Lancaster. Aliás, essa será a segunda vez que participo de uma mesa-redonda com o Fawcett. A primeira foi na Campus Party de 2009, lá em Sampa e versou sobre cyberpunk.

Apesar das tratativas iniciais para sairmos da Travessa para bebemorar o êxito do lançamento na Devassa praticamente em frente, em virtude do avançado da hora, julguei por bem declinar da combinação, despedir-me dos amigos e tomar um táxi de volta para casa.

Autor, seu fã e o Centésimo.


Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 17 de abril de 2010 (sábado).


Participantes:


Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Lúcio Manfredi
Luiz Filipe Vasquez
Max Mallmann
Octavio Aragão
Rafael Lupo Monteiro
Roberval Barcellos
Sylvio Gonçalves

3 comentários:

  1. Gérson, foi ótimo revê-los. E o livro do Max está sensacional. Lindjo!

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  2. Muito bom o relato! Espero que na próxima Elaine possa ir.

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