terça-feira, 22 de novembro de 2016

Primavera Literária do Rio de Janeiro
2016

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“Dino rides again!”
[Luiz Felipe Vasques, ao assumir mais uma vez a guarda da volumosa bolsa de livros de Dino Freitas]

Ao contrário do que se deu em certames anteriores, este ano minha participação na Primavera Literária do Rio de Janeiro acabou se limitando à tarde deste sábado, dia 19 de novembro, dia da Bandeira.
Programei-me de antemão para comparecer ontem à tarde, após o trabalho.  No entanto, a chuva grossa, acompanhada por uma ventania fortíssima, fez alguns estandes voarem e derrubou uma palmeira nos jardins do Museu do Catete, local que abriga essa feira literária, levando os organizadores a fechar temporariamente o evento por motivos de segurança, em vista dos riscos de curto-circuito na fiação exposta das instalações da feira.  Avisado por Erick Sama e Luiz Felipe Vasques, mudei meus planos quando já estava prestes a sair do trabalho rumo à Primavera.
Hoje de manhã, o clima firmou e as previsões meteorológicas indicaram possibilidade de chuva zero com tanta certeza que nem levei guarda-chuva quando descemos para tomar o UBER que nos levaria até o Palácio do Catete.  O pai da Cláudia, Carlos Quevedo, acompanhou-nos durante o evento.
Após ingressarmos nos jardins do palácio pela entrada de uma rua lateral (a entrada principal está interditada), separei-me da Cláudia e de meu sogro, pois ambos estavam a passeio e eu nem tanto.
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O primeiro estande que visitei nesta tarde ensolarada de céu azul impecável foi o da Aquário, minieditora de Ana Cristina Rodrigues e Estevão Ribeiro.  Aproveitei o ensejo para conhecer pessoalmente as gêmeas do casal, Sofia e Guilhermina, e para adquirir o Grande, Gordo e Feliz (Aquário Editorial, 2016) do Estevão, que reúne todas ou quase todas as tirinhas dos Passarinhos até agora.  Em meio à conversa, meio tristonhos, recordamos que o livreto com a noveleta de horror Tomai e Bebei (Aquário Editorial, 2015) acabou sendo o último título publicado por nosso saudoso amigo Max Mallmann.
Dali segui para o estande da Draco, onde encontrei Luiz Akira e Ricardo França.  Embora não houvesse à venda exemplares da Dinossauros (Draco, 2016), antologia que organizei e cujo lançamento oficial se deu meses atrás na Bienal do Livro de São Paulo, havia das outras antologias que organizei para a editora: Vaporpunk (2010); Dieselpunk (2011) e Super-Heróis (2013).  Segundo o Akira, também havia Solarpunk (2012), mas esgotou antes de eu chegar.  Aliás, autografei vários exemplares da Vaporpunk e da Super-Heróis, que também se esgotaram durante a tarde.  No que concerne meus livros-solo, havia Aventuras do Vampiro de Palmares (2014); A Guardiã da Memória (2011); e Estranhos no Paraíso (2015).  Apenas o Vampiro se esgotou ao longo da tarde-noite.


GL-R e suas crias no estande da Draco.


Luiz Akira no estande da Draco.

Estande da Draco.


Pouco depois, chegava Luiz Felipe Vasques e Ana Lúcia Merege.  Conversamos os bastante sobre as expectativas quanto aos resultados do Prêmio Argos 2016, cuja cerimônia será realizada no Boulevard Olímpico, por ocasião da feira carioca do livro (LER).
O estande da Draco situa-se logo depois de uma ponte que cruza o lago artificial dos jardins e bem próximo da palmeira que caiu ontem, de forma que as pessoas paravam ali toda hora para fotografar a árvore despencada, atravessada no laguinho.  A palmeira falecida era tão grande que, houvesse caído na direção do estande, certamente o teria esmagado.

Palmeira despencada na véspera junto ao estande da Draco.

Cláudia e Carlos no banco da ponte junto ao estande da Draco.


Para alegria dos visitantes da Primavera, um casal de gansos enormes transitava para lá e para cá na vizinhança do nosso estande.  O macho emitia grasnidos estridentes, algo semelhantes ao som de uma trombeta.  Observei que as cristas ósseas que esses gansos exibem nas testas, acima dos bicos, atua como uma espécie de caixa de ressonância, semelhante à de algumas espécies de hadrossauros (dinossauros popularmente conhecidos, aliás, como “bicos-de-pato”).


Gansos grasnadores.




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Grasnidos em si.


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Novamente em companhia da Cláudia e de meu sogro, visitei brevemente o estande da Mauad para verificar se meu livro Vita Vinum Est!: História do Vinho no Mundo Romano (MauadX, 2016) está à venda.  Estava e com 20% de desconto.
Visitei também o estande da Aleph, bastante lotado, surpreendendo-me com o desempenho dinâmico eletrizante de meu amigo Daniel Faleiro, membro do grupo de leitura Cápsula do Tempo (ex-segmento carioca do Vórtice Fantástico).  A editora está com um punhado de títulos interessantíssimos.  Infelizmente, para dinossauros da velha-guarda como eu, há pouca coisa que não tenha sido publicada por aqui vinte ou trinta anos atrás.  Daniel me indagou sobre o clássico Um Cântico para Leibowitz, de Walter Miller Jr. (meu exemplar foi publicado pela Melhoramentos em 1982 e lido em fevereiro daquele mesmo ano remoto do segundo milênio) recém-relançado pela Aleph e eu o recomendei com máximo empenho.

Daniel Faleiro em ação no estande da Aleph.


Numa passada posterior pelo estande da Aleph, agora em companhia dos amigos Ricardo França e Dino Freitas, encontrei Stella Rosemberg, também do Cápsula do Tempo, e conversamos um bocado sobre leituras e atividades literárias.  Encontrei outra amiga desse clube de leitura especializado em literatura fantástica, Renata Aquino, no estande da Draco.  Conversamos um bocado sobre as narrativas de Ted Chiang, melhor escritor de ficção curta da literatura fantástica, cuja coletânea Sua História e Outros Contos (Intrínseca, 2016) será finalmente lançada no Brasil nos próximos dias e que contém a noveleta “Story of Your Life”, trabalho que inspirou o filme de ficção científica A Chegada.  A película estreará nos cinemas na próxima quinta-feira.  Há planos para assistir o filme antes de analisar essa noveleta em nossa próxima reunião, junto com a noveleta “Tower of Babylon”, presente na mesma coletânea.
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Como na Primavera de 2015, desta vez meu amigo Nuno Caminada apareceu novamente no estande da Draco para bater um papo comigo.  Na conversa com Nuno e em muitas outras entabuladas ao longo dessa tarde e no início da noite, o tema dominante foi a crise econômica, política e moral que se abateu sobre o país, sobretudo, suas repercussões fluminenses mais recentes: as prisões dos ex-governadores Sergio Cabral Filho e Anthony Garotinho.
Outro amigo que compareceu lá na Draco foi Adilson Júnior, que conheci por ocasião de uma mesa-redonda de que participei em fins do ano passado.  Após indagar se meu Aventuras do Vampiro de Palmares era uma expansão da noveleta “Capitão Diabo das Geraes”, Adilson adquiriu um exemplar desse romance fix-up.
Dino Freitas e Flávio Abal se sagraram como os dois recordistas de aquisições literárias da tarde.  Mesmo sem sua indefectível mala vermelha de rodinhas, Dino demonstrou uma voracidade aquisitiva surpreendente, que o forçou a numerosas rearrumações frenéticas no conteúdo de sua volumosa bolsa de feira.  Como uma coisa leva à outra, o recordista tarado não descartou a ideia — sugerida por mim à guisa de piada — de comparecer amanhã com um carrinho de feira.  Abal não ficou muito atrás do campeão, logrando, inclusive, descobrir num de seus raids um exemplar do meu Vita Vinum Est! lá no estande da Mauad.
Já minha amiga Ana Lúcia Merege adquiriu seu exemplar de meu livro de vinho na minha mão e com desconto ainda maior do que o do estande da Mauad.  Como sempre, Ana mostrou-se incansável ao ajudar o Akira em seus esforços de venda hercúleos no estande da Draco.  Aliás, este ano, Akira me ensinou um método para bloquear as malditas ligações de telemarketing pelo site do PROCON.  Infelizmente, esse importante recurso humanitário ainda não se encontra disponível no PROCON-RJ, pois, além de roubado, falido, fodido e mal pago, o Estado do Rio de Janeiro parece ser um dos poucos que não aprovou leis neste sentido.
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Visitei também o estande da editora Vermelho Marinho, onde encontrei os amigos Thomaz Adour e Bruno Anselmi Matangrano.  Aproveitei a oportunidade para adquirir com desconto a coletânea do Bruno, Contos para uma Noite Fria (Llyr Editorial, 2014), a antologia O Outro Lado do Crime: Casos Sobrenaturais (idem, 2016), que ele coorganizou com Debora Gimenes para aquele selo, e a novela clássica de Morgan Robertson, Futilidade ou o Naufrágio do Titan (Vermelho Marinho, 2014).  Publicado em fins do século XIX, esse último trabalho conta a história do naufrágio do Titan em sua viagem inaugural, um transatlântico, considerado como inafundável, bastante semelhante ao Titanic, que de fato naufragou em 1912.  Mais do que qualquer outro fator, é a coincidência dessa antecipação notável que transformou a novela num clássico.  É a primeira vez que esse trabalho é publicado em nosso idioma.
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Lá pelas tantas, eu, Felipe, França, Ana Merege e outros amigos deixamos o estande da Draco sob os cuidados mais do que competentes do Luiz Akira a fim de tomar um café e comer algo na praça de alimentação da Primavera.  Eu e o França acabamos caindo na tentação irresistível dos doces portugueses.  Caí ante o assédio moral da bomba de chocolate, enquanto ele optou pela mil-folhas.  Os demais tomaram expressos com bolos ou algo do gênero.  Fiquei de olho vivo e faro fino numa barraquinha que estava fazendo uns crepes salgados com uma cara ótima e um aroma inebriante, mas, por conta do papo animado, acabei não encetando a aproximação final.
Neste bate-papo, travei contato com Maurício, que atuou como ilustrador na saudosa edição brasileira da Isaac Asimov Magazine de Ficção Científica.  Conversamos um bocado sobre incursões a sebos literários e autores da primeira onda, como Jerônymo Monteiro, André Carneiro, Rubem Teixeira Scavone e Fausto Cunha.  Descrevi-lhe o enredo básico da noveleta “Última Estrela” (1976), o trabalho de Cunha de que mais gosto, onde o leitor é brindado com a concretização de uma fantasia masculina clássica: após uma sessão de sexo animada com sua cientista-chefe, o comandante de uma nave de pesquisas humana desperta de madrugada e se percebe recebendo sexo oral.  Na manhã seguinte descobre que a amante humana não teve nada a ver com a felação.  A dose de prazer misterioso fora concedida por uma capelliana, fêmea humanoide de um metro de altura, nativa do planeta explorado pelos humanos.
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O ponto alto dessa tarde divertida memorável em que absolutamente tudo deu certo foi sem dúvida os bate-papos sobre história, política, ciência, literatura e até mesmo ficção científica com os amigos Felipe, França, Abal, Dino e com um físico estudioso de psicanálise, Fernando, que conheci hoje.  Cláudia e o pai já haviam partido há tempos, mas eu prossegui com minhas andanças e bate-papos até depois do anoitecer.  Quando dei por mim, já passavam das 20h00.
Meia hora mais tarde, parti com Felipe e Abal rumo à estação de metrô do Catete para voltar para casa.  Estou com vontade de regressar à Primavera 2016 amanhã cedo, mas creio não dará tempo, pois eu e Cláudia devemos almoçar com um casal de amigos no Piraquê.  Enfim, vontade é coisa que dá e passa.
Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 19 de novembro de 2016 (sábado).


Presentes na Primavera Literária:
Adílson Júnior
Ana Cristina Rodrigues
Ana Lúcia Merege
Bruno Anselmi Matangrano
Carlos Peres Quevedo
Christiane Caminada
Cláudia Quevedo Lodi
Daniel Faleiro
Dino Freitas
Estevão Ribeiro
Fernando
Flávio Abal
Gerson Lodi-Ribeiro
Luiz Akira
Luiz Felipe Vasques
Maurício
Nuno Caminada
Renata Aquino
Ricardo França
Stella Rosemberg

Thomaz Adour

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